quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mamãe passou açucar em mim

para Gabriel Biasi nascido em 1986


Há de se comemorar o nascimento desses homens. Desses homens que serão para sempre os meninos de suas mães, e que procuram a última tentativa de beber do leite derramado (por nós). Leite morno com bastante açucar assistindo caverna do dragão. Talvez usaram a fantasia de batman pra impressionar a menina e ela achou que ele fosse um gatinho. Não sei bem porque mas ele cresceu, de milímetro em milímetro.
Esse tipo de menino vive no mundo da lua e nos arredores do seu umbigo e ele não vai lembrar do seu aniversário mas vai prometer depois de dever muito. Ele procura nos muitos seios que olha aquele leite morno, açucarado. Ele tem aquele olhar perdido e meio tristonho próprio daquele menino que olhava dentro da loja de brinquedo, pedindo, implorando algo que nem ele sabe bem o que é. Esse tipo de menino é cheio de razão. Não adianta você dizer que ele não pode subir no muro porque ele vai cair, ele sempre acha que pode bancar o tombo. E voce segura na mão dele porque ele procurou pela sua e você vai atrás dele vendo o mundo através de seus olhos, daqueles que vêem sempre pela primeira vez. E você acha o máximo aquilo de ver pela primeira vez. E você segue, sempre atrás porque é por ali que ele te julga imprescindivel. É por ali que você vai premeditar os tombos futuros, as bobagens ditas, as primeiras palavras sujas que não significam VOCÊ. É por ali que ele sente pronto para algum acontecimento fantástico . É bem aí nesse momento que ele vai dizer o primeiro não, que vai dar a primeira birra, o primeiro chilique, o primeiro tapa, e você vai usar de sua didática maternal para mostrar o correto e o ideal para ele, e ele vai escutar rock n roll, bater a porta do quarto na sua cara e dizer que não precisa mais de você. E é nesses um metro e meio que ele vai permanecer a vida toda. Constantemente num aniversário de 13 anos. Vai olhar a primeira playboy escondido, descobrir que tem outras além de você e aí voce saberá que é o fim da sua pequena existência junto a ele. Ele está pronto para fugir de casa que sempre foi seu coraçao aberto e seus olhos que velam por ele. E quando você tentar acordá-lo com um beijo numa bela manhã de uma segunda feira ele já vai ter partido. E você irá encontrá-lo pela última vez, sentado na praça da bicota tomando catuaba quente olhando para as milhares de mamadeiras e seus leites açucarados.

Por Rafaella Biasi que ama muito um desses aí mas que avisa se não sabe brincar devolve “os hominho”.

Um comentário:

Jack disse...

Identifico tantos....você sabe, não é? Você sabe muito!
Orgulho de poder te ler, minha flor!
Orgulho de nossa empatia constante.